O que faz o chocolate ter sucesso hoje? Principais drivers de inovação em formatos, sabores e sustentabilidade

TL;DR
Para as empresas do setor chocolateiro no México, Chile e Espanha, a inovação não é um conceito abstrato, mas uma resposta direta às exigências de um consumidor que muda rapidamente. Após analisar o mercado do Reino Unido em nosso último relatório de categoria, fica claro que este país atua como um espelho do que logo veremos nas prateleiras de bens de consumo em todo o mundo de língua espanhola.

O contexto do mercado internacional de chocolate

O mercado de chocolate no Reino Unido atingiu 6,85 bilhões de dólares em 2025 e projeta crescer para 10 bilhões até 2035, com uma taxa de crescimento anual composta de 3,8%, impulsionada pela demanda por produtos premium e canais online. Dentro desse contexto, os pouches de compartilhamento de chocolate (pouches) se destacam como um formato fundamental na confeitaria, com um surto em embalagens flexíveis, como sacos com fechamento hermético que respondem à busca por conveniência, sustentabilidade e à experiência de consumo doméstico.​

Ícones de ingredientes e atributos: caramelos salgados, um copo, uma esfera de chocolate derretendo, uma folha sugerindo sustentabilidade e pistaches como variedade de sabores.

Embora 95% dos britânicos consumam chocolate e 4 em cada 5 o façam pelo menos uma vez por semana, as regulamentações HFSS reduziram a visibilidade em pontos-chave da loja e limitaram o consumo impulsivo, acelerando a inovação em reformulação, materiais recicláveis e propostas de valor, como texturas complexas e sabores premium. 

Neste segundo artigo baseado em dados do nosso SaaS, aprofundamos em como os formatos de embalagem e novos ingredientes estão redefinindo o sucesso comercial. Enquanto no México o chocolate tem raízes culturais profundas ligadas à tradição, e no Chile o consumo per capita é um dos mais altos da região, o Reino Unido lidera a adoção de formatospremium e soluções de sustentabilidade que abrem caminho para qualquer exportador ou fabricante local.

A hegemonia dos formatos: Do “compartilhamento” ao “porcionamento”

O formato de pouch de compartilhamento domina a prateleira britânica, mas seu uso evoluiu. De acordo com os dados do nosso relatório, o Doypack com fecho zip (Stand-up Pouch) é o formato mais popular na categoria. Sua capacidade de se manter em pé facilita a visibilidade na prateleira e melhora a experiência do usuário em casa.

Infográfico de formatos de embalagem: doypack com fecho zip e embalagem “almofada”; formatos secundários (mini-compartilhamento/grab bags e embalagem de fundo plano); e formatos de inovação, como pouch de papel reciclável e monomaterial reciclável, focados em sustentabilidade.

Fechamento hermético como requisito de compra

Uma das descobertas mais relevantes é a mudança na percepção em relação ao fecho zip. 54% dos consumidores britânicos consomem o conteúdo de uma embalagem de compartilhamento sozinhos ao longo de vários dias. Isso transformou o fechamento hermético ou abre e fecha. Este elemento era anteriormente percebido como um valor agregado opcional, mas atualmente os consumidores o consideram um requisito básico de compra. Em termos práticos, o fechamento cumpre três funções que influenciam as compras repetidas:

  • Preservação: mantém a textura e o frescor.
  • Conveniência: permite abrir, servir e guardar sem complicações.
  • Controle de consumo: facilita o porcionamento sem que o produto se deteriore.

Este fenômeno marca uma mudança do conceito tradicional de “compartilhamento” em direção ao “porcionamento”. Empresas na Espanha e na América Latina podem tirar uma lição clara: o consumidor busca autogerir sua indulgência. Facilitar que o produto possa ser aberto e fechado várias vezes permite ao fabricante oferecer formatos maiores (100g-200g) sem que o cliente sinta que deve terminá-lo de uma só vez por medo de que estrague.

Outros formatos na prateleira

Embora o stand-up pouch lidere, o relatório identifica outros formatos com presença relevante, que são usados para jogar com preço, ocasião ou diferenciação:

  • Pillow Bag (Embalagem Almofada): Ainda é uma opção de custo-benefício para produtos de entrada ou marcas próprias.
  • Mini-Sharing / Grab Bags (80g-90g): Funcionam como um passo intermediário entre a barra individual e a embalagem grande, ideais para o consumo em movimento.
  • Flat Bottom Gusset Bag (Embalagem de Fundo Plano): Comumente usada para chocolates com formatos irregulares ou trufas maiores que exigem uma base estável e uma apresentação mais rígida.

Para as equipes de inovação e marketing, a lição é clara: o formato não é mais escolhido apenas pela eficiência. É escolhido por sua capacidade de sustentar uma experiência de consumo real e repetida.

Insights de Inovação: Sabores e Texturas que Justificam o Preço

Em um mercado onde o preço médio subiu 17% no último trimestre de 2025, a inovação é a principal ferramenta para manter o valor percebido. As marcas que conseguem sustentar preços entre £3 e £5 o fazem através de propostas que oferecem uma experiência sensorial complexa.

Ilustração de uma barra de chocolate e trufas, incluindo uma barra com recheio verde (tipo pistache) destacando novos sabores e apresentações.

A tendência “Fully Loaded”

O relatório destaca o sucesso das propostas denominadas “Fully Loaded”. Marcas como Marks & Spencer, com sua linha Choc Marks, estão redefinindo o que o consumidor espera de uma mordida de chocolate. Essas propostas combinam múltiplas inclusões e texturas em uma única peça: pistache, wafer, milho torrado ou sal marinho.

Essa complexidade técnica permite que o preço seja percebido como mais justo. Quando o produto oferece crocância, cremosidade e nuances salgadas simultaneamente, ele deixa de competir apenas pelo volume para competir pela intensidade da experiência. As empresas mexicanas, com seu acesso a ingredientes locais únicos, têm aqui um enorme campo de exploração para o mercado de exportação.

O fenômeno do pistache e o efeito viral

O sabor é o motor do setor e, em 2026, o pistache se posiciona como o ingrediente estrela. Impulsionado pelo efeito viral do “Dubai Chocolate” nas redes sociais, o pistache passou de um sabor de nicho para um caminho claro para o lançamento de variantes modernas. Essas versões são percebidas como luxo acessível e permitem que marcas tradicionais atualizem seu catálogo sem sair da faixa de preço de bens de consumo de massa (FMCG).

Por outro lado, o chocolate “blonde” (chocolate branco caramelizado) deixou de ser uma edição limitada para se tornar um sabor estável nas prateleiras britânicas. Supermercados como Waitrose e Sainsbury’s normalizaram sua presença, abrindo as portas para novas combinações permanentes que antes eram consideradas arriscadas demais.

Impacto Regulatório e Reformulação Saudável

A legislação HFSS (alto teor de gordura, açúcar e sal) no Reino Unido forçou uma aceleração na reformulação do chocolate ensacado. Esta regulamentação, que entrou em vigor plenamente em janeiro de 2026, restringe a colocação de produtos menos saudáveis nos caixas ou entradas de supermercados.

O uso de fibras funcionais

Para compensar a redução de açúcar sem sacrificar a cremosidade que o consumidor exige, as marcas estão recorrendo a ingredientes técnicos. A inulina, uma fibra de origem vegetal, está sendo cada vez mais utilizada para manter a estrutura e o perfil sensorial do chocolate com menos calorias.

Em países como o Chile, onde a cultura dos selos nutricionais está bem estabelecida, essas soluções tecnológicas britânicas representam uma oportunidade de aprendizado. O desafio não é simplesmente remover o açúcar; é reformular para que o consumidor não note a diferença na boca. A inovação em ingredientes funcionais é a chave para manter a competitividade em mercados com legislações de saúde rigorosas.

Sustentabilidade: Do Plástico ao Papel

A sustentabilidade passou de uma mensagem de marketing para uma necessidade operacional. O relatório da flipflow mostra uma transição acelerada para embalagens mais responsáveis ambientalmente.

Sacos de papel reciclável e monomateriais

Marcas líderes estão migrando seus formatos de plástico multicamada para Paper-Based Pouches (pouches à base de papel reciclável) ou monomateriais fáceis de reciclar. Embora essa mudança apresente desafios técnicos, especialmente na manutenção da vedação e da barreira contra a umidade, os fabricantes que abriram caminho já estão ganhando a preferência dos consumidores mais jovens.

Essa tendência é especialmente relevante para as empresas espanholas, que operam sob diretrizes europeias de economia circular cada vez mais exigentes. A inovação em materiais que mantêm a funcionalidade do fecho zip, mas são 100% recicláveis, é um dos campos com maior potencial de crescimento.

Valores de Marca e Novos Hábitos de Consumo

O relatório revela que o sucesso no segmento de pouches de chocolate também depende da conexão emocional e ética com o consumidor.

A mensagem ética como determinante de compra

O caso da Tony’s Chocolonely é paradigmático. Sua comunicação focada na erradicação da escravidão no cultivo do cacau demonstra que os valores da empresa podem ser tão determinantes quanto o formato do produto.

Cartaz de campanha: uma mão segura uma barra de chocolate contra um fundo azul com a mensagem “100% slave-free”, destacando o compromisso ético e a sustentabilidade na cadeia do cacau.

Fonte: Jon Richards – LinkedIn – 2025

Essa abordagem se conecta especialmente com a Geração Z e os Millennials, que estão dispostos a pagar a mais por produtos com certificações claras de comércio justo. No México, onde a origem do cacau é um símbolo de identidade nacional, existe um potencial imenso para comunicar essas histórias de impacto social e sustentabilidade.

Crescimento do E-commerce e o “Big Night In”

A ocasião de consumo também está mudando. O crescimento do e-commerce e das plataformas de quick commerce deslocou o pico de demanda por chocolate para a noite. O maior número de compras impulsivas via aplicativos é registrado entre 20h00 e 22h00.

Este hábito favorece o uso do Retail Media digital. Com uma participação paga de 4,6%, ainda relativamente baixa, as marcas que investirem em publicidade especificamente direcionada a esses horários poderão compensar a perda de visibilidade física nos caixas devido às regulamentações HFSS.

O “Big Night In” (noite de cinema ou jogos em casa) é o cenário perfeito para os pouches de compartilhamento, e as marcas que melhor adaptarem sua comunicação a este momento específico serão as que liderarão a categoria.

Duas pessoas sentadas em um sofá riem enquanto compartilham e provam pedaços de chocolate, desfrutando de diferentes sabores em um ambiente doméstico.

Conclusão: Inovação Útil, Formatos Claros e Embalagens que Resolvem as Necessidades do Dia a Dia

A análise detalhada da categoria de pouches de chocolate no Reino Unido nos oferece um roteiro claro para a inovação. Não basta fabricar um chocolate de qualidade; o sucesso atual depende de uma combinação precisa entre um formato funcional (Doypack com fecho zip), uma experiência sensorial complexa (texturas e sabores em tendência, como o pistache) e um compromisso firme com a sustentabilidade e a saúde.

Para as empresas de chocolate, esses dados representam uma oportunidade de se antecipar à concorrência. As tendências em direção ao porcionamento, à reformulação usando fibras funcionais e à adoção de materiais recicláveis já estão aqui. A direção geral é clara: vencerão as marcas que inovarem com utilidade, escolherem formatos fáceis de entender e projetarem embalagens que acompanhem o uso real do consumidor.

Colagem em perspectiva de páginas de um relatório ‘Chocolate Pouches (UK)’ com uma capa e várias folhas com gráficos, tabelas e textos analíticos.

Se você quiser se aprofundar em insights sobre inovação, formatos, sabores e sustentabilidade no mercado de chocolate do Reino Unido, você pode baixar o relatório completo clicando aqui.