Preços e descontos em iogurtes de soja, proteína e kefir: uma análise do mercado espanhol (2025)
TL;DR
Dados da análise: tendências de preço médio e desconto médio na Espanha para as categorias de kefir, iogurtes proteicos e iogurtes de soja durante setembro–dezembro de 2025, com base em informações do nosso SaaS (detalhes completos no relatório para download).
O mercado de iogurtes está passando por um período de reajuste na Espanha: o consumo doméstico vem caindo há dois anos, mas o valor do mercado continua a crescer devido ao efeito da inflação e à ascensão de segmentos de maior valor agregado, como os de proteína, kefir ou alternativas vegetais. O iogurte representa cerca de 13‑14% dos gastos com produtos lácteos no domicílio, com quase 9 kg per capita por ano, e é impactado pela pressão dos custos e pela normalização dos preços do leite na origem após os picos de 2022.
Em paralelo, os iogurtes vegetais estão acelerando: as vendas no varejo para esta categoria atingiram aproximadamente 93 milhões de euros em 2024 na Espanha, com crescimento acumulado superior a 30% desde 2022, impulsionado por consumidores que buscam opções mais saudáveis e de origem vegetal. Nesse contexto de consumo mais seletivo, maior sensibilidade ao preço e busca por funcionalidade, entender as tendências de preços e o papel das promoções em iogurtes de soja, proteína e kefir torna-se fundamental para as marcas de laticínios.

Tendências de Preços por Tipo: Três Curvas Muito Diferentes
Entre setembro e dezembro de 2025, os três tipos analisados — kefir, proteína e soja — enviaram sinais mistos. Não existe uma tendência única de preços; em vez disso, cada segmento responde às suas próprias dinâmicas de oferta e demanda.
Essa divergência obriga fabricantes e varejistas a tomar decisões refinadas: onde podem defender margens, onde são necessários ajustes para sustentar o volume e qual o papel das marcas de fabricante e das marcas próprias em cada segmento.
Kefir: tendência de alta com um ajuste final
O preço médio do kefir durante o período subiu, com um comportamento muito acentuado no outono.
- Setembro: €2,30.
- Outubro: €2,41 (+4,8% vs. setembro).
- Novembro: €2,55 (+5,8% vs. outubro, +10,9% vs. setembro).
- Dezembro: €2,48 (‑2,7% vs. novembro, mas ainda +7,8% vs. setembro).
A dinâmica é clara: o kefir tornou-se progressivamente mais caro até novembro, quando atingiu o pico, e corrigiu levemente em dezembro sem perder o patamar de preço conquistado. Isso se ajusta a uma categoria onde o posicionamento gira em torno do valor agregado, origem e atributos “eco/artesanais”, proporcionando margem para repassar parte das pressões de custo mantendo a disposição de pagar.
Iogurtes proteicos: ajuste de baixa e um novo nível de referência
Nos iogurtes proteicos, o movimento foi o oposto, com um ajuste de preços concentrado na reta final do ano.
- Setembro: €2,33.
- Outubro: €2,35 (+0,9% vs. setembro, praticamente estável).
- Novembro: €2,06 (‑12,3% vs. outubro).
- Dezembro: €2,02 (‑1,9% vs. novembro, ‑13,3% vs. setembro).
O resultado é um “degrau” descendente: a categoria entrou em dezembro com um preço médio 13% menor do que em setembro, sugerindo uma combinação de maior intensidade promocional, reposicionamentos táticos de algumas marcas e pressão das Marcas Próprias como uma alternativa de menor preço.
Iogurtes de soja: aumento pontual de preço e retorno ao equilíbrio
A soja exibiu um padrão de aumentos seguido por uma rápida correção, com sinais claros de que o mercado não sustenta um salto estrutural de preço.
- Setembro: €2,50.
- Outubro: €2,69 (+7,6% vs. setembro).
- Novembro: €2,52 (‑6,3% vs. outubro).
- Dezembro: €2,51 (‑0,4% vs. novembro, +0,4% vs. setembro).
A alta de preços em outubro funcionou mais como um “pico” do que como um novo nível estável, e a categoria encerrou o ano praticamente com o mesmo preço do início. Isso sugere um equilíbrio delicado entre o valor percebido dos iogurtes vegetais e a sensibilidade ao preço de um consumidor que, embora disposto a pagar mais por atributos nutricionais ou de sustentabilidade, continua a compará-los com os iogurtes lácteos tradicionais e as Marcas Próprias.

Estratégias de Preços das Marcas: Estabilidade da Marca Própria vs. Volatilidade do High-End
Por trás dessas médias de categoria existem lógicas muito diferentes dependendo da marca e do varejista. O relatório distingue claramente o comportamento das Marcas de Fabricante (MDF) em comparação com as Marcas Próprias (MP) em cada tipo.
Kefir: volatilidade no segmento ultra-premium
No kefir de Marca de Fabricante, dois blocos são observados: marcas relativamente estáveis e um segmento ultra-premium muito volátil.
Entre as marcas estáveis, encontramos Activia (-1% entre setembro e dezembro) e Pastoret (-0,9% no mesmo período).
A volatilidade concentra-se em marcas com posicionamento ecológico ou artesanal (El Cantero de Letur e Granja Noé) e preços iniciais mais altos, apontando para uma gestão ativa de preços para evitar perda de giro em um ambiente de maior sensibilidade ao ticket final. Ambas as marcas apresentam quedas acentuadas de seus picos até dezembro (‑15,3% e ‑30,4%, respectivamente).
Nas Marcas Próprias, o padrão é muito diferente: preços contidos e praticamente estáveis. A Hacendado marca o piso do mercado, com preços quase totalmente estáveis (‑1,8% entre setembro e dezembro). O Dia é a exceção, com uma alta clara no período (+8,2%). O Carrefour desempenha o papel de Marca Própria de nível “superior”, com preços acima de €2.
Aqui, a concorrência é definida mais pelo posicionamento entre varejistas (Hacendado como referência de preço baixo, Carrefour como marca própria premium) do que pela dinâmica da inflação.
Proteína: premium estável, ajustes pontuais e Marcas Próprias “price-fighters”
Nos iogurtes proteicos, a segmentação entre fabricante e varejista também é altamente visível.
Nas Marcas de Fabricante, há uma dispersão e movimento significativos, com um eixo claro entre marcas premium estáveis e ajustes pontuais. A Pastoret mantém a faixa de preço mais alta. A YoPRO posiciona-se como uma referência estável em torno de €2,43 (‑1,2% no período). A Kaiku representa um caso distinto: subiu acentuadamente até novembro e caiu visivelmente em dezembro (‑10,5% vs. setembro), um padrão compatível com ações promocionais intensas.
Nas Marcas Próprias, o quadro é de estabilidade e foco no preço. Dia e Carrefour operam na faixa mais baixa, com mudanças mínimas de preço durante o período. A Alipende atua como uma âncora totalmente estável. A Hacendado posiciona-se como a marca própria mais cara do bloco, mas com um aumento suave e controlado (+1,8%).
Isso confirma que, em proteína, as Marcas Próprias funcionam como “price fighters” e definem o piso de preço, enquanto as Marcas de Fabricante trabalham mais com o valor da marca, inovação e uma gestão de preços altamente tática.
Soja: fabricantes na extremidade superior e Marcas Próprias como um degrau inferior estável
Nos iogurtes de soja, o nível de preço do fabricante está claramente acima das Marcas Próprias e com posições muito consistentes.
A Activia é a marca mais premium e fechou o período como o teto de preço. A Alpro mantém-se como um “núcleo” estável, com variações muito contidas. A Sojasun apresentou a maior variação: subiu em outubro e corrigiu até dezembro, com uma queda de 3,9% em relação a setembro.
Nas Marcas Próprias, a Hacendado fixou o mínimo em €1,35, permanecendo totalmente estável durante todo o período. A Consum reduziu levemente (‑1,9%) e o Carrefour foi o único com um aumento moderado (+3,1%).
Aqui, as Marcas Próprias não parecem ser o motor das flutuações de preço médio na categoria, mas sim uma base de preço estável sobre a qual as marcas de fabricante realizam seus ajustes.
Cenário de Descontos: Moderado na Média, Desigual na Prática
Se o preço médio explica “onde o mercado está”, o desconto explica “como ele compete” semana a semana. O relatório mostra um cenário de descontos onde a média é contida, mas o comportamento é muito desigual entre as marcas.
- Desconto médio para o conjunto: ‑2,5% se as marcas não promovidas forem incluídas.
- Desconto médio apenas entre marcas com desconto: ‑3,7%.
- As Marcas Próprias aplicam descontos mais agressivos (média de ‑5,1%) do que as Marcas de Fabricante (média de ‑1,3%).
Isso significa que a maioria das marcas usa reduções táticas superficiais, enquanto algumas poucas pressionam com promoções fortes que acabam movendo a média e contribuindo para a percepção de uma “guerra de preços” nas gôndolas.

Marcas “agitadoras” de preço: promoções muito agressivas
Um pequeno grupo de varejistas concentrou os descontos mais profundos (>5%). O Carrefour (‑12,65%) foi a marca mais agressiva, com uma estratégia baseada não apenas em preços base baixos, mas no uso intensivo de promoção.
MARGUI (‑9,95%) e Alipende (-7,92%) são marcas de nicho que precisam “gritar oferta” para atrair a atenção em comparação com os grandes fabricantes, ou varejistas que usam a promoção como ferramenta principal para reforçar seu posicionamento de preço.
Marcas com descontos táticos: defendendo o volume sem corroer demais a margem
Em um segundo nível estão as marcas convencionais (mainstream) que combinam visibilidade nas prateleiras com promoções recorrentes, mas não tão profundas (descontos entre 1% e 5%). Nesse nível, encontramos marcas como Nestlé (-5,32%) ou Danone (-4,42%).
São marcas tradicionais que estão sofrendo pressão das Marcas Próprias e são forçadas a sustentar um alto nível de atividade promocional para manter o volume, especialmente em tipos como proteína, onde as Marcas Próprias estão ganhando espaço na gôndola.
Esse grupo também inclui casos como YoPRO, com um desconto médio muito mais moderado (‑1,60%), contando com o valor da marca e uma ampla gama sem entrar em uma espiral promocional agressiva.
Marcas “intocáveis”: preços estáveis e sem promoções
No extremo oposto estão as marcas que não aplicaram descontos durante o período analisado.
- Marcas Próprias com estratégia de “preços baixos sempre“, como Hacendado e Consum.
- Marcas eco-artesanais e premium como Pastoret, El Cantero de Letur ou Casa Grande de Xanceda.
- Sojasun, que mantém seu posicionamento sem recorrer a promoções.
Nas Marcas Próprias, a lógica é clara: os preços já funcionam como o “piso” da categoria e ofertas temporárias perderiam o sentido. Nas marcas premium, renunciar aos descontos protege a percepção de qualidade, origem e exclusividade, evitando a diluição do posicionamento ao entrar na conversa sobre preço.
Pontos-Chave para a Tomada de Decisão: Como Usar esses Dados em Preços e Promoções
Com esses padrões, existem várias linhas de ação que normalmente funcionam bem em categorias como iogurte:
1) Estratégia separada por tipo (não aplique uma receita única): O kefir tolera melhor preços altos quando o valor é claro; é aconselhável cuidar da arquitetura premium e evitar uma guerra promocional constante. Os iogurtes proteicos exigem um monitoramento mais próximo de preços e promoções, pois o mercado é mais sensível e as Marcas Próprias estão pressionando fortemente. Os iogurtes de soja permitem trabalhar um diferencial se houver uma proposta sólida; a lacuna em relação às Marcas Próprias está estabelecida, mas deve ser justificada.
2) Revisar o papel da promoção (frequência vs. profundidade): O desconto médio é baixo, mas as marcas que “movem” o mercado o fazem com profundidade. Isso força uma decisão: você precisa competir com ataques pontuais? Ou é melhor construir estabilidade e defender margens?
3) Controlar a consistência entre preço base e promoção: Especialmente em proteína, parte da queda no preço médio pode ser explicada por ajustes e dinâmicas promocionais. Se o seu preço base é alto, a promoção pode se tornar uma “muleta” e acabar educando o consumidor a esperar por um desconto.
Roteiro para a Gestão Comercial na Categoria de Iogurtes
A análise dos meses finais de 2025 revela um mercado de iogurtes na Espanha se movendo em duas velocidades. Segmentos de valor agregado, como kefir e proteína, lideram a inovação e o crescimento em valor, mas o fazem sob estratégias de preços radicalmente opostas: o kefir aposta na premiumização e no aumento das margens, enquanto a proteína está imersa em uma guerra de preços liderada pela distribuição.
As Marcas Próprias deixaram de ser simplesmente uma opção barata e tornaram-se o regulador do mercado. Sua capacidade de manter preços estáveis ao mesmo tempo em que aplicam promoções agressivas em momentos-chave obriga as marcas de fabricante a serem mais criativas em sua política comercial.
Para as empresas do setor de laticínios, a chave do sucesso nos próximos meses não residirá apenas na qualidade do produto, mas na capacidade de monitorar os movimentos da concorrência em tempo real. Entender quando uma marca própria baixa seu piso de preço ou quando um concorrente direto ativa uma campanha de descontos agressiva é fundamental para reagir a tempo e proteger tanto a participação de mercado quanto as margens de lucro.
O mercado espanhol de iogurtes é maduro e altamente competitivo. Nesse cenário, a gestão de dados e a análise precisa das tendências de preços tornam-se as melhores ferramentas para navegar em um ambiente de consumo que continua a evoluir. E a flipflow está aqui para ajudar você a conseguir isso.



